Porque levamos um choque ao encostarmos um objeto
metálico nas obturações dentárias da amálgama?
Quem tem amálgama nos dentes provavelmente já deve ter experimentado uma
sensação nada agradável quando algum papel-alumínio encosta nessa liga (como
ocorre, por exemplo, quando se morde sem querer a embalagem de um bombom). Essa
dor aguda pode ser explicada pela eletroquímica, que tem como um de seus
objetos de estudo a produção de corrente elétrica por meio de reações de
oxirredução (pilhas).
Essa dor é provocada pelo estabelecimento de uma espécie de pilha em
nossa boca que conduz corrente elétrica pelas terminações nervosas dos dentes.
Uma pilha é formada basicamente por dois eletrodos, o ânodo (polo
negativo), que se oxida e perde elétrons, e o cátodo (polo positivo), que se
reduz, recebendo os elétrons transferidos pelo ânodo. Além dos eletrodos, é
necessária também uma ponte salina.
Quando temos um metal em cada eletrodo, o metal que possuir maior
potencial padrão de redução (E0) será o cátodo, pois é o melhor oxidante.
Quando analisamos o alumínio em comparação com todos os metais que compõem o
amálgama, vemos que em todos os casos ele é o metal que tem menor potencial
padrão de redução (E° = - 1,66 V), por isso ele sempre será o que vai oxidar e
atuar como agente redutor, isto é, ele perderá elétrons e atuará como um ânodo.
Assim, quando o alumínio entra em contato com os metais do amálgama, o
alumínio se torna o ânodo que transfere elétrons para os íons dos metais do
amálgama (Ag+, Sn+, Hg+, Cu2 ou Zn2), que se torna o cátodo.
A saliva funciona como ponte salina conduzindo os íons do alumínio para
a obturação e, daí, às terminações nervosas.

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